Trechos do Caos – Menina Morta

Trechos do Caos – Menina Morta

Onde começa e onde termina
A Angústia da minha vida,
 O Terror de sua partida
A vitória de sua vinda?
O Caos me possui
 Meus neuronios correm
Nossa alegria flui
Da mais alta expressão de ordem
 E o sentimento volta…
 E a duvida continua
 E não há Deus e nem socorro nem mais muros
A nação hipnotica iludida
O lado negro da face não beija
Nem beijo deseja
 O lado branco da face eu queria
Mas me parece utopia
Só sei que nada sei
Minha filosofia está morta
 Diabos, eu estou morta
E aqui não é lugar para minha cova
Brasilia Gera o Caos
Que percorre estrada
Por terra mar e ar
Hoje imperam os maus
 Que bloquearam a entrada
Mas nada há de se perpetuar
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Outras Pessoas – Menina Morta

Porque Outras Pessoas?
Porque outras pessoas tem que pisar em nossa alma?
Porque outras pessoas tem que nos fazer menos especiais?
Porque outras pessoas precisam nos roubar o que é importante?
Porque outras pessoas não podem amar outras pessoas?
Porque outras pessoas tem que amar justo quem mais amo?
Porque outras pessoas nos fazem sentir mal?
Porque outras pessoas possuem tanto significado?
Porque outras pessoas são tambem pessoas
Para outras pessoas.

Outras pessoas não passam de outras pessoas
Será que o amor de outras pessoas é como o meu?
Que ultrapassa o amor por qualquer outra pessoa
Outras pessoas machucam minha alma
Mas devo machucar tambem a alma de outras pessoas
As vezes gostaria de simplesmente desaparecer
E permitir que as pessoas
Amem essas outras pessoas
Pois no fim, para as outras pessoas
Eu tambem não passo de uma outra pessoa.

Não quero mais sofrer por outra pessoa
Não quero mais ser humilhado por outra pessoa
Não quero mais me sentir inutil por outra pessoa
E talvez não queira mais viver para ver essa outra pessoa
E ver minha pessoa, amando outra pessoa.

Olhos de Vidro e Marmore – Menina Morta


A noite estava insólita com um ar mais frio e rarefeito do que o normal quando Timóteo Pinto adentrou para a escuridão do beco local. A noite estava clara sob a lua cheia de plena sexta-feira 12, e apesar de Timóteo não estar bêbado, certa “consciência alterada” tomava conta de seu ser nesta fatídica noite.

Sua atenção foi chamada com o som efêmero e “inócuo” de uma gota d’água em uma pequena poça de água semi-dissolvida com vestígios fecais de alguma ave. O som parecia de tilintares de taças acompanhada com diminutos coaxos e certos “cri-cri-cri-cri”

Timóteo entrou e pensou que seus olhos o enganaram, pois o nosso senhor assustou-se ao ver um sofá velho sob a tremenda influencia do tempo e colossais ondas de poeira.
Por algum motivo incógnito desmerecidamente, Timóteo ficou hipnotizado ao olhar os olhos do velho, eram olhos opacos, possuíam tons de nevoas, e ao mesmo tempo uma escuridão apocalíptica, como se a qualquer segundo aquele olhar sombrio e caloroso (os dois ao mesmo tempo) pudesse dar inicio a uma reação de cadeia que prenderia tudo sob a hipnose daqueles olhos.

Timóteo se aproximou e ficou à dois metros olhando diretamente os olhos do velho, não sabia o porque, mas os olhos daquele velho pareciam a coisa mais importante da existência. Parecia a única essência realmente essencial da vida. Ele reparou que lentamente mergulhava em seus olhos e então percebeu: Pequenas cutículas dentro de seus olhos começaram à exalar um brilho carnavalesco, e rodava, em espirais uma majestosa dança sobre o ritmo de ‘Magnificat’ ou de Eine Kleine Nachtmusik.

Seus olhos por fim deram origem a uma galáxia, perfeita em todos os seus detalhes. Ele não sabia mais dizer à quanto tempo estava encarando aqueles pares de olhos imateriais, o tempo parecia estranho agora. TIMÓTEO sabia com certeza que fazia mais de dois dias e com incerteza sabia que fazia menos de uma semana.

Uma vontade LOUCA de urinar atacou-o quando ele sabia que, como em um sonho surreal, que se parasse por dois segundos de olhar aqueles olhos, e retorna-se sua visão, não seria mais a mesma coisa. Então sem pestanejar, TIMÓTEO urinou sua substancia ureica-amoniaca ali nas calças mesmo. E pela primeira vez na vida Timóteo perguntou alguma pergunta decente e inteligente:

“-Senhor, quem diabos é você?!”

A voz extremamente fina do velho, como se tivesse alguma doença nas cordas vocais, parecendo uma imitação do clássico personagem Kiko (chaves) lhe respondeu:
“-Me desculpe, mas eu não sou daqui, sou de outro planeta, gosto de cogumelos…e eu sou maluco branquelo, de cabelo amarelo, minha vida é a estrada e eu não ligo para nada, só quero cantar…flutuar no Universo ver o mundo de perto ver a Terra girar…

“Me desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu. Saiba que a lua ao lado é sempre igual e que Júpiter sempre muda, que eu sou um louco caótico e doente, sou Maluco Beleza, e que, a caixa-mágica manipula sua mente, os pergaminhos do Times são malignos. Agora eu preciso sair daqui, vou pra outro planeta, algum distante que possa sentar e relaxar.”

Timóteo não sabia como, mas aquela noite durou mais de dez anos e toda a sua liberdade, todo seu livre-arbitrio, todo seu intelecto e toda sua sanidade mental (não que ele pudesse dizer com certeza que possuia uma, obviamente)

A CIDADE MELANCOLICA

Uma cidade melancólica, onde ninguém nunca sorri – Menina Morta

Escrevo uma carta em minha própria mão cujo foi decepada em trabalho, mão de obra barata, escrava, para diversão deles minha conduta nunca foi boa e eles não gostam de crianças desobedientes. Vândalos, Degenerados, Delinqüentes, Ladrões, Baderneiros, Desobedientes, Sarcásticos, Marginais & Homens-Livres, foi como nos taxaram, colocaram uma etiqueta em nossa língua, um numero em nossa testa. Éramos todos escravos do mesmo monte de excremento, e eles faziam questão de nos dizer, questão de fazer-nos saber que íamos morrer.

Seus corpos são deformados cheios de enxertos, alguns não possuem troncos nem braços, vivem cantarolando pelos corredores adjacentes aos meus ouvidos, nos mantêm aqui e controlam os reatores cujo agrupamento é apelidado entre seus detentos de “casa”, para mim é mais um campo de concentração. “Faça silêncio” é o que diziam, apenas davam a desculpa que era para nosso bem e estávamos todos doentes, nos separaram de nossos entes desde então sem nenhuma explicação tudo passou rápido, tão rápido que ninguém notou os dias, era difícil distinguir dois dias de duas semanas, ninguém veio nos buscar, talvez também tenham sido pegos… Éramos tão felizes.

Adeptos da fé e cheios de preconceitos alegavam cheios de contradição que éramos todos pecadores hereges e nos ensinavam que amor é uma blasfêmia, é errado, cheio de regras, deve ser contido e a principio foi tão difícil, os que escapavam nas primeiras semanas diziam que seriamos transferidos para um mundo recente e tão remoto que sua localização é desconhecida, acredito que na verdade ocultam informações.

Homens com barba mal feita, rostos mal lavados. Tiranos & Usurpadores, eles falam que precisam nos controlar, que somos fora-da-lei, que não podemos mais viver felizes, fazem questão de tomar nossas terras, questão em nos deixar cientes de que irão poluir nossos rios e nossas florestas. Eles dizem que ninguém muda, e isso me dá força de vontade, se antes era um homem livre, agora também serei. É por isso que nego trabalhar para esses sujeitos mal-cheirosos, e é em nome da Liberdade que provavelmente estarei fadado à morte nessa fatídica noite. Talvez eles me torturem antes, é uma diversão para eles, não entendo o fetiche nisso, mas tortura alheia parece ser o assunto quente entre eles. Miseráveis…

Todo dia ouço esse mesmo gemido mais parece uma roda enferrujada, periodicamente trazem os corpos puxados sobre uma espécie de carrinho aparentemente selado, não se vê soldas, estocam os restos naquelas estantes prateadas da 3° casa de arquivos em potes azuis com um tipo de asterisco com uma etiqueta cheia de numerais e caracteres ilegíveis aos olhos acorrentados atrás dessas barras.

Não posso deixar de observar, os homens famintos, nos dão ossos, e comem suculentos pratos, mais doces do que de anjo, eles dizem. Posso observar tamanhos disformes, as vezes deixam grandes ossos do tamanho de um úmero, ou de um rádio. As vezes uma tíbia, ou um fêmur. Não poderia imaginar que bicho poderia dar ossos desse tipo. De certo tomo consciência do fato de que essa carne não é normal. Não posso deixar de me perguntar, de que continente será que provem essas especiarias?

Eles mentiram pra vocês, ludibriaram e manipularam com suas roupas caras e fala mansa! Vocês já são livres, tudo é permitido! Um brinde à Éris, A mais bela, a Deusa da Discórdia! Sejam os Sagrados Anjos de si mesmo, como diriam os Thelemitas! Sejam seus próprios Demônios, como diriam os Ocultistas! O Único Pecado é a restrição. Viva sua vida, eu bem que gostaria de viver a minha, mas agora é tarde demais…

Não consigo mais esconder o meu repudio por essas criaturas. Finalmente me desvencilhei dos grilhões da Escravidão. Estou transcendendo a realidade. Estou rompendo meus limites e finalmente abraçando a imortalidade. Já chega desta hipocrisia, agora eu vou lhe mostrar-lhes algo diferente. Da tua sombra que se segue ao amanhecer. E por tua sombra que à ti te ergue ao anoitecer. Eu vou mostrar-lhes o medo num punhado de pó!

Minha execução foi decretada e imagino que terei o mesmo destino de meus irmãos, sinto falta de tudo que deixarei aqui e medo desse futuro incerto. Já sinto falta do cheiro doce do campo, eles podem me acorrentar à fezes, podem ter traçado meus últimos meses linha por linha, mas nesses últimos dez minutos eu sou livre. TUDO EM NOME DA LIBERDADE, eu repito, as pessoas se esquecem que o nosso verdadeiro motivo de transcender é viver livremente. Essa espera é que está me matando…

Agora eu me despeço de todos vocês, muitos daqui não verei outra vez. No final das contas o que está me atormentando mesmo é toda essa espera, eles me aprisionam e me fazem contar carneiros. Gasto o tempo que não tenho, com coisas que não gosto. Acho que no final da sua vida, você começa a pensar no começo, convenhamos, Aleister Crowley realmente sabia do que estava falando quando disse: “Amor é a Lei, Amor sob Vontade”. As tradições e seitas orientais tem o costume de dizer que no segundo que antecede sua morte você vê sua vida inteira num piscar de olhos, eu não acho que seja bem assim, acho que você apenas veja as coisas que realmente lhe importam nessa vida… Será

que você pode adivinhar o que eu vi?

A Cidade Melancolica

A Cidade Melancolica. Reunindo em um lugar os textos desta criatura que se chama Menina Morta

Vomite aqui: Menina_morta@hotmail.com

  • ACABOU!

    "Acabou! Palavra tola! Acabou por quê? Acabou e depois nada, a indiferença plena! De que serve o eterno criar, Se a criação em nada acabar? 'Acabou!' O que ler deste verbo? É como se não tivesse existido E ainda assim gira em circulos, tivesse ele sido Pois o eterno vácuo eu teria preferido!" -Fausto de Goethe
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